segunda-feira, 9 de maio de 2011

RESGATE DOS CORPOS DO VOO 447 DA AIR FRANCE



O mistério está chegando ao fim. No caminho entre o Brasil e a França, um avião desapareceu e, quase dois anos depois, a façanha de encontrá-lo no fundo do Oceano Atlântico foi realizada. Mas, para desvendar essa história, tão dolorosa para brasileiros e franceses, foi necessária a participação de americanos.
Para Mike Purchell, a sensação é de dever cumprido. Ele foi o chefe da missão que localizou o que restou do avião da Air France. Purchell recebeu o Fantástico na cidade de Cape Cod, nos Estados Unidos, onde são produzidos os submarinos-robôs que participaram das buscas.

Mike lembra que dois submarinos revezavam, em turnos de 12 horas cada, o trabalho de mapear a região com uma espécie de sonda. Ela emitia vibrações sonoras que poderiam indicar a presença de algum destroço. Um terceiro submarino-robô registrava as imagens. Ele é conhecido como Mary Anne e encontrou o que todos esperavam.

Mas foi por pouco que uma tempestade não estragou a felicidade da equipe. Ondas violentas quase levaram o submarino, a única prova real de onde estavam os destroços.

Mike conta que Mary Anne pode ficar 20 horas embaixo d'água e percorrer até 6 mil metros de profundidade. É programada como um computador. Sua rota é definida por técnicos antes de sua descida. Por isso, sabe muito bem o caminho a seguir.

A tarefa do grupo de Mike foi bem-sucedida, mas o trabalho das autoridades francesas ainda continua. Esta semana, eles encontraram a segunda caixa-preta do voo 447. Nela, estão os registros das últimas duas horas de conversa dos pilotos. A primeira, com informações técnicas, foi encontrada na última semana.

Depois das caixas-pretas, vem o imenso trabalho de içar para a superfície os corpos das vítimas do acidente. Nunca foi divulgado quantos ainda estão lá, mas se sabe que são, pelo menos, algumas dezenas. Assim começa um trabalho complicado, porque muito delicado, e delicadeza é algo que um robô não tem.

A operação de resgate começa sobre o ponto onde se encontram os destroços. O navio francês lança nas águas o robô Remora 6000 – um modelo com braços mecânicos e uma espécie de cesta presa a ele. O robô desce a quase 4 mil metros de profundidade, onde os corpos estão. A região é chamada Cordilheira Meso-Oceânica ou Meso-Atlântica. Se fosse possível ver o fundo, sem toda a água, o desenho seria como o de uma cadeia de montanhas irregulares, um ponto de acesso muito difícil.

No local, a temperatura da água é de, no máximo, 2ºC. A concentração de oxigênio é muito baixa. Os microorganismos que fazem a decomposição não conseguem sobreviver em um ambiente assim. Por isso, mesmo quase dois anos depois, os corpos estão relativamente bem conservados. Por outro lado, a pressão é 400 vezes maior que a da superfície, o que complica manter os corpos intactos durante o retorno.

Começa então, o complicado processo de resgate. Com a ajuda dos braços mecânicos, o corpo é colocado na cesta. Em seguida, percorre os quatro quilômetros de volta à superfície, até o navio. Ao chegar, o corpo vai para uma câmera fria.

A decisão de retirar esses corpos é delicada também por outro motivo. É o retorno da dor causada pela morte dessas pessoas, e cada família sente isso de uma maneira diferente. “Sinceramente, eu, como mãe, não gostaria que minha filha fosse encontrada. Eu gostaria que ela e o marido dela estivessem lá no lugar onde eles estão, felizes, abraçadinhos”, explica Márcia Pires Cotta, mãe de passageira do voo 447.

Nelson Faria Marinho perdeu o filho Marcelo. Ele lidera a associação de vítimas do acidente. Retirar os corpos do fundo do mar é o desejo da maioria. “Nós estamos recebendo de maneira que conforta as famílias pelo fato de podermos finalizar a vida”, declara.

Amostras de cada corpo
serão levadas aos poucos para a França para que se faça um exame de DNA e se possa identificar cada pessoa. Paralelamente, em outro tipo de laboratório, serão feitas as análises das duas caixas-pretas para que se possa tentar descobrir as causas do acidente. Em ambos os casos, ainda não se sabe quando esses relatórios vão ser divulgados.

FONTE:http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1661435-15605,00-VEJA+COMO+SERA+O+RESGATE+DOS+CORPOS+DO+VOO+DA+AIR+FRANCE.html

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